quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tracejado emocional

Há uma linha, uma ténue e fina linha que separa aquilo que sentimos daquilo que é a nossa céptica e monótona realidade. Essa linha é um tracejado muito fino, muito espaçada entre cada traço e cada espaço é uma porta de abertura que nos grita para avançar e sermos crianças de sentir. É um espaço em que são permitidas todas as explosões de sentimento que por vezes são tão fortes e muitas vezes as escondemos naquilo parece ser uma auto-prisão de cada pessoa na sua realidade céptica da vida. A alegria está mesmo nestes espaços e por vezes temos de saber que cair neles é uma conquista muito maior do que a segurança da nossa pacata e recatada realidade. Ser tendencialmente fechado e reservado pode até ser uma consequência do passado, mas a vida não é estanque e eu costumo acreditar que mais tarde ou mais cedo vai aparecer sempre algo maior, melhor e mais forte do que as grades que separam a racionalidade da vontade de rebentarmos todas as nossas costuras de meninos bem comportados e sermos apenas ávidos loucos em que a satisfação é tanto maior quanto a nossa loucura! Sejamos loucos, Sejamos livres!


Passou a existir um espaço

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O vazio que abana as mãos

O vazio que abana as mãos, não é mais do que a pureza de um homem que se vê separado de tudo e apenas parece um anjo que a natureza mãe do nosso corpo obrigou-o a ser. Tão rico parece aquele homem que já está isolado do mundo pela bolha de doenças que o deixam incontactável ao mundo exterior ao seu corpo. Tão puro parece aquele rosto velho e de cabelos brancos e despenteados que passa as tardes no calor do rés-do-chão da sua antiga casa. Puro na sua inocência numa tentativa de balbucioar que não ouve nem vê. Tão puro é o homem reduzido ao zero do cérebro racional. Parece que nada de mal existe naquele homem que quando se despede junta as mãos em forma de agradecer e depois as abana para aqueles que saem. Se não fosse a doença tudo isto era bom de ver...


Passou a existir o puro através do obscuro demencial