Brincam lá ao longe, perto da linha do comboio amarelo junto ao café mais conhecido da freguesia, onde a terra é seca, fina e castanha como se fosse trazida dos campos dali perto. Brincam ao calor, e o suor seca ao vento que mais não se faz sentir. À sua volta não está ninguém, pelo menos para eles que dançam à volta das cadeiras que não chegam para todos. O ar quente que me deixava na morrinha de um dia secante desvanece quando os que brincam trazem o prazer para a cor das folhas no alto das copas das árvores de fruto. A secante transforma-se num sorriso pelo contágio dos ingénuos de felicidade, ou dos corajosos, bravos e crentes no prazer ao segundo. No prazer do agora, já ou nunca mais. A vida consegue parar o tempo, num segundo que vira hora, num ambiente que se julgava finado e vira roda viva. Numa roda viva que desaparece com as preocupações dos adultos. Os ingénuos de felicidade sentam-se repentinamente. Quebra o barulho o silêncio dos grandes. Quebram os descrentes a dança dos ingénuos.
Passou a existir uma hora
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