quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Transcrição de sentimentos comprometida

Aquilo que os nossos sentidos e acções são, é sempre maior do que as palavras que dizemos. Julgamos não saber o que sentimos. Julgamos dizer o que sentimos. No entanto, por vezes a emoção é perdida no caminho até à boca. A nossa verdade está na própria vontade em falar com alguém, no abraçar espontâneo, no passar da mão pelos cabelos com uma vontade que nos passa ao lado da consciência. Por vezes vivemos apagados da realidade e julgamos não querer o outro, mas sim uma vontade de ter, julgamos não nos apaixonar, mas apenas um gostar de estar, de conviver, de passear, de conhecer mais e mais. O que é do sentido das palavras quando as acções valem mais? O que me assusta é a auto-concepção desintegrada da realidade. Não me importa que as pessoas digam que não gostam, se o que mostram são gestos de afecto. O que me atormenta (quando não sonho acordado) é a hipótese das pessoas realmente sentirem e viverem nesse mundo em que os hemisférios cerebrais perderam a ligação. Não há razão que possa fugir à emoção, nem emoção sem réstias de razão. A emotividade de cada momento está sempre explicada pela racionalidade, nem que seja da fonte mais distante e da água mais escassa. Mas ela está lá.

O mundo é um quadro em que cada um usa as suas cores. Cabe a cada um saber usar as suas.


Passou a existir uma lógica não vista.

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