sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Epifania

Há pessoas que…. Há pessoas que é uma bela forma de incitar à critica, ou como se costuma dizer,  falar mal de alguém. Ou pelo menos só de uma característica desse alguém…..Há pessoas que têm epifanias da verdade e num fim de noite afirmam que deviam não ter tantos filtros sentimentais e terem as mesmas barreiras emocionais que uma criança. Isto é, não existirem barreiras emocionais e deixarem que o que o inconsciente sente seja verdadeiro, real e aconteça. Essas pessoas têm epifanias esporádicas em que a razão dorme num coma bem profundo e silencioso enquanto o lado sensitivo e emocional está com a força toda numa conversa que se diria informal e não propositada. Dizem coisas que nunca disseram, e que nunca vão dizer depois daquela noite, ou fazer, mesmo que tenham prometido algo. E são mesmo assim. Talvez sejamos todos e eu não tenha motivos para guardar rancor. Porque na verdade, não guardo. Quando a conversa termina e vai cada um para seu canto, a lucidez aparece. Uma lucidez que a mim não me encanta nem me fascina. Porque as pessoas também são emoções e porque essas pessoas acham que são superiores àquele sentimento da gente vulgar, da gente que sente, daquela gente que mais tarde acaba por ser FELIZ e ter um gozo enorme da vida que levam! Essa gente diz que é adulta e acha que fazer certo é ignorar o que não parece tão bom para si. Porque para eles tudo tem uma escolha, mesmo os sentimentos. Erra quem pensa que escolhe sentimentos. Erra quem pensa que ignorar um sentimento vai ser duradouro. Porque o lado mais forte do ser humano, é esse mesmo, o lado humano. E Humano é aquele que possui sentimentos. É aquele que é provido de uma alma que não é trabalhada. A alma tal como muita coisa na vida não se pode trabalhar, ela apenas cresce. 

domingo, 13 de outubro de 2013

Vão embora!

       "Vão embora porque eu hoje não estou! Vão embora porque hoje chove e amanhã poderá continuar nublado por estes lados. Vão embora que hoje não sou boa companhia."
       Fechou-se em copas o velho que para nós falava. Fiquei sei compreender a situação. Não percebi as palavras naquela altura. Não percebi porque tanto queria dizer a toda a gente que aquele não era um bom dia. No dia a seguir o velho foi encontrado na mesma divisão que aquela em que  tinha sido visto da ultima vez. Perguntaram-lhe: " Que se passa?" E ele sempre teimoso disse não ser nada. Uns tempos passaram e ele voltou a falar para todos como se nunca nada tivesse existido. Um homem normal, como todos os outros era o que pensava quem o via. A certa altura voltou ao seu estado de letargia sentimental que se veio a descobrir que era um mau estar sempre latente, que por vezes se tornava evidente para todos mas que a toda a hora era evidente para ele.
   Um dia deixaram de saber dele. Passaram-se tempos e tempos sem o verem, até que decidiram entrar na sua casa mesmo sem permissão. Em cima da mesa da cozinha, tinha um bilhete que dizia:


    "Até à próxima meus amigos.
Vocês não perceberam a minha ausência e eu não quis que ela se notasse. Como nunca quis ser notado...
Não sou quem julgam ser. Nunca fui. Dizem que sou uma pessoa de bem e divertido. Posso até ser engraçado, mas a minha maior marca é ser feio por dentro. E que grande marca esta..... Fiz coisas das quais me arrependo e das quais não consigo esquecer. Coisas que todos os dias me fazem sentir mal entre as palhaçadas que faço e  dos tempos em que estou sozinho entre vós. De mal comigo tenho de partir. Não poderia mais continuar assim e então foi hora de sair. Fazer um restart à minha vida e se possível às minhas memórias. Parto para um total desconhecido. Procurarei ser a boa pessoa que vocês me acham ser...

Até uma próxima e sejam felizes, porque vocês são boas pessoas,

O vosso velho"

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Mensagem para "eu"

   Não esperes da vida palmadinhas nas costas. Elas não te fazem crescer, elas só te fazem viver uma falsa felicidade efémera. Vive das lutas, das lágrimas e sofrimento. Elas serão vitórias únicas que só podem ser construídas no paradigma daquilo que somos a cada dia. 
   Quando passares o caminho mais torto da tua vida prepara-te para sentir a tua conquista numa estrada sem limites. Desfruta da conquista, porque caminhos difíceis vão existir num ápice por muito curtos que sejam.
   A nossa felicidade nesses caminhos passa pelo sentimento de desafio que eles nos podem dar. É o sentimento mais feliz no meio dos saltos e sobressaltos.

Passou a existir uma nova perspectiva, 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Vontade Solitária

     Um só ser no meio da chuva que faz furinhos no mar. Sente-se livre em cada gota que o molha, em cada gota que o faz sentir derramar as suas amarguras, os seus dissabores, a sua insatisfação quotidiana. Sente-se vazio, vazio no seu rasgo de liberdade. Vazio pelo seu solitário pensamento. Vazio porque não deixa ninguém  entrar demasiado no seu palco. Não quer que se intrometam naquilo que ele é, naquilo que ele quer. Não quer assustar as pessoas porque já vive assustado do seu reflexo. Assustado da imagem de si.
    Foge dos problemas divagando por uma rua qualquer num silêncio enternecedor e absoluto do seu veículo. Ouve-se a alma, e a corrente fria que corre dentro dele. Ouve-se a dor de querer amar a vida e não conseguir. Ouve-se o desconcerto de sentimentos na arritmia cardíaca que o deixa sem chão. Vagueia por ser louco e por pensar que a cada quilómetro e a cada lágrima imaginária que cai, os seus problemas desaparecem e o sorriso vai crescendo curva após curva, na loucura de apostar a sua involuntária vontade de fugir pela conquista do sorriso, pela conquista do orgulho no seu reflexo e do seu bem-estar interno.
    Talvez divagar por estradas alheias não seja mais que uma terapia, um relaxamento insano que só os que o fazem compreendem.

Passou a existir uma vontade solitária;
Passou a existir a corrida libertária



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Além janela

          Num filme a preto e branco ela balança com cabelo meio ondulado. A sua cara especialmente branca e redonda onde se destaca o seu queixo teimoso torna toda esta dança num cheirinho especial, num cheirinho a côco. Num filme em que os dois, não conseguem ouvir a musica do outro ambos ouvem o mesmo folk que tanto os faz tremer por dentro. Tremer de quentinho na noite fria entre um autocarro e uns quilómetros solitários a pé até casa. O que eles não sabem mas sentem é que lá no fundo apenas estão em cenas trocadas do mesmo filme. Ela na frente da cena ele atrás de uma cena que parece nunca querer aparecer. São dois fools cheios de "gana" por vencer na vida. Vencer cada dia, sentir o sucesso entre o acordar e o deitar. Sentir o sucesso fazendo o que querem fazer. Ele é um parvinho que a consegue ver de uma janela mágica. Mágica porque ele vive através dessa barreira transparente o que aquele filme tão animado a preto e branco do lado de lá lhe consegue dar. Vive no seu pequeno quarto os sentimentos do folk dela, mesmo sendo surdo de sentimentos as lágrimas escorrem-lhe num arrepio de quem imagina o som daquela alegria inata daquela menina tão especial, da menina além janela.

Passou a existir um filme nunca realizado,

Ps: Ao som do sr. Bob Dylan