segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Além janela

          Num filme a preto e branco ela balança com cabelo meio ondulado. A sua cara especialmente branca e redonda onde se destaca o seu queixo teimoso torna toda esta dança num cheirinho especial, num cheirinho a côco. Num filme em que os dois, não conseguem ouvir a musica do outro ambos ouvem o mesmo folk que tanto os faz tremer por dentro. Tremer de quentinho na noite fria entre um autocarro e uns quilómetros solitários a pé até casa. O que eles não sabem mas sentem é que lá no fundo apenas estão em cenas trocadas do mesmo filme. Ela na frente da cena ele atrás de uma cena que parece nunca querer aparecer. São dois fools cheios de "gana" por vencer na vida. Vencer cada dia, sentir o sucesso entre o acordar e o deitar. Sentir o sucesso fazendo o que querem fazer. Ele é um parvinho que a consegue ver de uma janela mágica. Mágica porque ele vive através dessa barreira transparente o que aquele filme tão animado a preto e branco do lado de lá lhe consegue dar. Vive no seu pequeno quarto os sentimentos do folk dela, mesmo sendo surdo de sentimentos as lágrimas escorrem-lhe num arrepio de quem imagina o som daquela alegria inata daquela menina tão especial, da menina além janela.

Passou a existir um filme nunca realizado,

Ps: Ao som do sr. Bob Dylan

Sem comentários:

Enviar um comentário