"Vão embora porque eu hoje não estou! Vão embora porque hoje chove e amanhã poderá continuar nublado por estes lados. Vão embora que hoje não sou boa companhia."
Fechou-se em copas o velho que para nós falava. Fiquei sei compreender a situação. Não percebi as palavras naquela altura. Não percebi porque tanto queria dizer a toda a gente que aquele não era um bom dia. No dia a seguir o velho foi encontrado na mesma divisão que aquela em que tinha sido visto da ultima vez. Perguntaram-lhe: " Que se passa?" E ele sempre teimoso disse não ser nada. Uns tempos passaram e ele voltou a falar para todos como se nunca nada tivesse existido. Um homem normal, como todos os outros era o que pensava quem o via. A certa altura voltou ao seu estado de letargia sentimental que se veio a descobrir que era um mau estar sempre latente, que por vezes se tornava evidente para todos mas que a toda a hora era evidente para ele.
Um dia deixaram de saber dele. Passaram-se tempos e tempos sem o verem, até que decidiram entrar na sua casa mesmo sem permissão. Em cima da mesa da cozinha, tinha um bilhete que dizia:
"Até à próxima meus amigos.
Vocês não perceberam a minha ausência e eu não quis que ela se notasse. Como nunca quis ser notado...
Não sou quem julgam ser. Nunca fui. Dizem que sou uma pessoa de bem e divertido. Posso até ser engraçado, mas a minha maior marca é ser feio por dentro. E que grande marca esta..... Fiz coisas das quais me arrependo e das quais não consigo esquecer. Coisas que todos os dias me fazem sentir mal entre as palhaçadas que faço e dos tempos em que estou sozinho entre vós. De mal comigo tenho de partir. Não poderia mais continuar assim e então foi hora de sair. Fazer um restart à minha vida e se possível às minhas memórias. Parto para um total desconhecido. Procurarei ser a boa pessoa que vocês me acham ser...
Até uma próxima e sejam felizes, porque vocês são boas pessoas,
O vosso velho"
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