sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

THE PERFECT MATCH

Quando tudo bate certo na vida custa-nos sempre pensar que tudo aquilo que vivemos não é mais que um sonho. Um sonho perfeito em que tudo o que nos rodeia está de acordo com aquilo que somos e queremos, porque todas as adversidades que nos são apresentadas são para o constructo do nosso caminho e isso não assusta o sonhador, ele apenas lida com isso. Esta harmonia que existe dentro de um universo tão heterogéneo e com largas dificuldades dá tanta energia a quem vive dentro dela que o homem se sente um ser imenso e capaz de rasgar tudo e todos, de aguentar com a queda do diabo e a trindade, ou de problemas mil, porque ele está tão certo e seguro do que o meio lhe dá. Este sonhador não é um sonhador qualquer, é o melhor, aquele que sonha acordado porque vive uma felicidade parva que o deixa ridicularizado perante ele mesmo, que faz tolices perante qualquer público, apenas porque lhe apetece. Este sonhador vive das suas vontades e não dos seus deveres ou boas maneiras.O que faz ser dele o melhor é a sua capacidade de engolir todos os seus medos como se eles nunca existissem e dar aos outros aquilo que ele é, um perfeito inocente levado pela sorte de um acaso da vida.


Passou a existir uma razão para a parvoíce ingénua do ser
Passou a existir um sonhador acordado,
Passou a existir um ser deliciado pela realidade

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tracejado emocional

Há uma linha, uma ténue e fina linha que separa aquilo que sentimos daquilo que é a nossa céptica e monótona realidade. Essa linha é um tracejado muito fino, muito espaçada entre cada traço e cada espaço é uma porta de abertura que nos grita para avançar e sermos crianças de sentir. É um espaço em que são permitidas todas as explosões de sentimento que por vezes são tão fortes e muitas vezes as escondemos naquilo parece ser uma auto-prisão de cada pessoa na sua realidade céptica da vida. A alegria está mesmo nestes espaços e por vezes temos de saber que cair neles é uma conquista muito maior do que a segurança da nossa pacata e recatada realidade. Ser tendencialmente fechado e reservado pode até ser uma consequência do passado, mas a vida não é estanque e eu costumo acreditar que mais tarde ou mais cedo vai aparecer sempre algo maior, melhor e mais forte do que as grades que separam a racionalidade da vontade de rebentarmos todas as nossas costuras de meninos bem comportados e sermos apenas ávidos loucos em que a satisfação é tanto maior quanto a nossa loucura! Sejamos loucos, Sejamos livres!


Passou a existir um espaço

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O vazio que abana as mãos

O vazio que abana as mãos, não é mais do que a pureza de um homem que se vê separado de tudo e apenas parece um anjo que a natureza mãe do nosso corpo obrigou-o a ser. Tão rico parece aquele homem que já está isolado do mundo pela bolha de doenças que o deixam incontactável ao mundo exterior ao seu corpo. Tão puro parece aquele rosto velho e de cabelos brancos e despenteados que passa as tardes no calor do rés-do-chão da sua antiga casa. Puro na sua inocência numa tentativa de balbucioar que não ouve nem vê. Tão puro é o homem reduzido ao zero do cérebro racional. Parece que nada de mal existe naquele homem que quando se despede junta as mãos em forma de agradecer e depois as abana para aqueles que saem. Se não fosse a doença tudo isto era bom de ver...


Passou a existir o puro através do obscuro demencial

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Epifania

Há pessoas que…. Há pessoas que é uma bela forma de incitar à critica, ou como se costuma dizer,  falar mal de alguém. Ou pelo menos só de uma característica desse alguém…..Há pessoas que têm epifanias da verdade e num fim de noite afirmam que deviam não ter tantos filtros sentimentais e terem as mesmas barreiras emocionais que uma criança. Isto é, não existirem barreiras emocionais e deixarem que o que o inconsciente sente seja verdadeiro, real e aconteça. Essas pessoas têm epifanias esporádicas em que a razão dorme num coma bem profundo e silencioso enquanto o lado sensitivo e emocional está com a força toda numa conversa que se diria informal e não propositada. Dizem coisas que nunca disseram, e que nunca vão dizer depois daquela noite, ou fazer, mesmo que tenham prometido algo. E são mesmo assim. Talvez sejamos todos e eu não tenha motivos para guardar rancor. Porque na verdade, não guardo. Quando a conversa termina e vai cada um para seu canto, a lucidez aparece. Uma lucidez que a mim não me encanta nem me fascina. Porque as pessoas também são emoções e porque essas pessoas acham que são superiores àquele sentimento da gente vulgar, da gente que sente, daquela gente que mais tarde acaba por ser FELIZ e ter um gozo enorme da vida que levam! Essa gente diz que é adulta e acha que fazer certo é ignorar o que não parece tão bom para si. Porque para eles tudo tem uma escolha, mesmo os sentimentos. Erra quem pensa que escolhe sentimentos. Erra quem pensa que ignorar um sentimento vai ser duradouro. Porque o lado mais forte do ser humano, é esse mesmo, o lado humano. E Humano é aquele que possui sentimentos. É aquele que é provido de uma alma que não é trabalhada. A alma tal como muita coisa na vida não se pode trabalhar, ela apenas cresce. 

domingo, 13 de outubro de 2013

Vão embora!

       "Vão embora porque eu hoje não estou! Vão embora porque hoje chove e amanhã poderá continuar nublado por estes lados. Vão embora que hoje não sou boa companhia."
       Fechou-se em copas o velho que para nós falava. Fiquei sei compreender a situação. Não percebi as palavras naquela altura. Não percebi porque tanto queria dizer a toda a gente que aquele não era um bom dia. No dia a seguir o velho foi encontrado na mesma divisão que aquela em que  tinha sido visto da ultima vez. Perguntaram-lhe: " Que se passa?" E ele sempre teimoso disse não ser nada. Uns tempos passaram e ele voltou a falar para todos como se nunca nada tivesse existido. Um homem normal, como todos os outros era o que pensava quem o via. A certa altura voltou ao seu estado de letargia sentimental que se veio a descobrir que era um mau estar sempre latente, que por vezes se tornava evidente para todos mas que a toda a hora era evidente para ele.
   Um dia deixaram de saber dele. Passaram-se tempos e tempos sem o verem, até que decidiram entrar na sua casa mesmo sem permissão. Em cima da mesa da cozinha, tinha um bilhete que dizia:


    "Até à próxima meus amigos.
Vocês não perceberam a minha ausência e eu não quis que ela se notasse. Como nunca quis ser notado...
Não sou quem julgam ser. Nunca fui. Dizem que sou uma pessoa de bem e divertido. Posso até ser engraçado, mas a minha maior marca é ser feio por dentro. E que grande marca esta..... Fiz coisas das quais me arrependo e das quais não consigo esquecer. Coisas que todos os dias me fazem sentir mal entre as palhaçadas que faço e  dos tempos em que estou sozinho entre vós. De mal comigo tenho de partir. Não poderia mais continuar assim e então foi hora de sair. Fazer um restart à minha vida e se possível às minhas memórias. Parto para um total desconhecido. Procurarei ser a boa pessoa que vocês me acham ser...

Até uma próxima e sejam felizes, porque vocês são boas pessoas,

O vosso velho"

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Mensagem para "eu"

   Não esperes da vida palmadinhas nas costas. Elas não te fazem crescer, elas só te fazem viver uma falsa felicidade efémera. Vive das lutas, das lágrimas e sofrimento. Elas serão vitórias únicas que só podem ser construídas no paradigma daquilo que somos a cada dia. 
   Quando passares o caminho mais torto da tua vida prepara-te para sentir a tua conquista numa estrada sem limites. Desfruta da conquista, porque caminhos difíceis vão existir num ápice por muito curtos que sejam.
   A nossa felicidade nesses caminhos passa pelo sentimento de desafio que eles nos podem dar. É o sentimento mais feliz no meio dos saltos e sobressaltos.

Passou a existir uma nova perspectiva, 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Vontade Solitária

     Um só ser no meio da chuva que faz furinhos no mar. Sente-se livre em cada gota que o molha, em cada gota que o faz sentir derramar as suas amarguras, os seus dissabores, a sua insatisfação quotidiana. Sente-se vazio, vazio no seu rasgo de liberdade. Vazio pelo seu solitário pensamento. Vazio porque não deixa ninguém  entrar demasiado no seu palco. Não quer que se intrometam naquilo que ele é, naquilo que ele quer. Não quer assustar as pessoas porque já vive assustado do seu reflexo. Assustado da imagem de si.
    Foge dos problemas divagando por uma rua qualquer num silêncio enternecedor e absoluto do seu veículo. Ouve-se a alma, e a corrente fria que corre dentro dele. Ouve-se a dor de querer amar a vida e não conseguir. Ouve-se o desconcerto de sentimentos na arritmia cardíaca que o deixa sem chão. Vagueia por ser louco e por pensar que a cada quilómetro e a cada lágrima imaginária que cai, os seus problemas desaparecem e o sorriso vai crescendo curva após curva, na loucura de apostar a sua involuntária vontade de fugir pela conquista do sorriso, pela conquista do orgulho no seu reflexo e do seu bem-estar interno.
    Talvez divagar por estradas alheias não seja mais que uma terapia, um relaxamento insano que só os que o fazem compreendem.

Passou a existir uma vontade solitária;
Passou a existir a corrida libertária



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Além janela

          Num filme a preto e branco ela balança com cabelo meio ondulado. A sua cara especialmente branca e redonda onde se destaca o seu queixo teimoso torna toda esta dança num cheirinho especial, num cheirinho a côco. Num filme em que os dois, não conseguem ouvir a musica do outro ambos ouvem o mesmo folk que tanto os faz tremer por dentro. Tremer de quentinho na noite fria entre um autocarro e uns quilómetros solitários a pé até casa. O que eles não sabem mas sentem é que lá no fundo apenas estão em cenas trocadas do mesmo filme. Ela na frente da cena ele atrás de uma cena que parece nunca querer aparecer. São dois fools cheios de "gana" por vencer na vida. Vencer cada dia, sentir o sucesso entre o acordar e o deitar. Sentir o sucesso fazendo o que querem fazer. Ele é um parvinho que a consegue ver de uma janela mágica. Mágica porque ele vive através dessa barreira transparente o que aquele filme tão animado a preto e branco do lado de lá lhe consegue dar. Vive no seu pequeno quarto os sentimentos do folk dela, mesmo sendo surdo de sentimentos as lágrimas escorrem-lhe num arrepio de quem imagina o som daquela alegria inata daquela menina tão especial, da menina além janela.

Passou a existir um filme nunca realizado,

Ps: Ao som do sr. Bob Dylan

terça-feira, 13 de agosto de 2013

HOMEM

Custa-me ver o teu olhar perdido. De quem ouve, mas não escuta, de quem sente mas não sabe o quê. Perdeste o sentido das coisas e ainda assim mantens uma calma aterradora. Que me assusta só de pensar como lidas tão bem com a a doença que te come. Não acredito que seja das tuas refeições, metade alimento e metade comprimido. Não acredito porque te conheci antes. Não que queira de fazer de ti um herói. Mas porque para mim és a melhor pessoa que conheço e que em tempos me ensinou os números e as palavras. Custa-me ver a injustiça caída em ti. É injusto o que se passa contigo. Um homem que em todos os meus anos me foi um pai, um professor da primária e um professor da vida. Um homem que todos gostam, e daí se vê a tua grandeza. Entristece-me saber que não há volta a dar, mesmo que já se tenham passado largos meses desde que começaste a ser traído pelo teu corpo. Passam-se os meses mas a tua presença marca como se ainda estivesses são. Se não fosse pessoa que do teu sangue partilha, eras na mesma alguém muito especial. Porque realmente tu tocas nas pessoas de uma maneira diferente. Tocas com uma bondade inata e um saber ser, um saber estar que são ímpares. Ainda hoje me ensinas, ainda hoje te admiro, mesmo que me custe falar e não saber se não me respondes porque não queres, porque tens a consciência que não me sabes responder ou até porque se não me ouves. Tens no corpo os maus tratos de uma vida de trabalho e suor pelos teus, mas o teu rosto, esse sim guarda o sorriso, embora agora mais escasso, um sorriso puro, de quem ama, de quem gosta e de quem ainda consegue mandar a sua piada, mesmo que sem querer. E não é que te invejo? Invejar um homem idoso e em estado pobre de saúde, é sinal que o seu valor como ser humano é de uma riqueza impressionante. Guardo numa inconsciência maluca que o teu estado de saúde nunca vai piorar. É como se tivesse bêbado por momentos e perdesse a noção da realidade, mesmo eu sabendo o quão falso isso é. É principalmente por ti que cada vez menos acredito numa divindade que nos vê. Esta divindade tem de estar cega para não ver alguém que educou um molho de crianças que hoje estão bem, adultas, crescidas de civismo e com espírito de partilha, de partilha de sacrifícios  de partilha de bondade, de partilha do teu toque. Por várias vezes pensei escrever sobre ti, mas nunca o fiz porque pensei que se o fizesse me estaria a despedir de ti. E que isso não era justo para ninguém. Hoje escrevo, porque na minha ressaca vejo que cada dia é uma pequena despedida e tu poderás dizer adeus sem ouvires antes um obrigado. Não sei se viverás anos, ou terás o azar de viver dias. Mas que os vivas bem, por muito distante que te sinta. Dava pedaços do meu cérebro consoante te fizesse falta para poder-te ver a fazer as tuas caminhadas, a conduzir o teu carro velho que tanto estimaste, e para poderes aturar a tua mulher.
     Guardo em mim tudo o que me ensinaste desde os meus primeiros anos de vida até hoje, desde as contas de dividir que para mim eram um tormento e as fizeste mais fáceis até à coragem com que estás a enfrentar esta diminuição de capacidades físicas que a doença te impõe. 
     Quando falei de me ensinares as palavras e os números veio-me à cabeça a tua caligrafia. Autêntica obra de arte que muito invejo. Mesmo bonita. Hoje tremida pela doença e frustração de veres que a caneta te treme nos dedos.
    És um homem com muito pouco agora, mas com tanto que eu admiro. Obrigado meu amigo, obrigado meu professor, obrigado por todos os minutos partilhados, pois um homem como tu até no completo silêncio me preenche.



EXISTE UM HOMEM DE CORAGEM, DE LOUVAR, UM HOMEM DE BEM!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Rapaz que sente

Temos uma enorme capacidade para transformar sentimentos. Talvez eu seja uma borboleta em constante mutação, ou um tolo que já perdeu o cérebro há muito tempo e agora sou apenas um rapaz que sente. Não sabe bem o porquê, ou como, mas sente e vai atrás desse sentimento como se da própria vida se tratasse. Um apaixonado por natureza.  Diria mesmo, um compulsivo impulsivo apaixonado. Um amante da aventura sem precauções. Um amante do salto em queda livre sem para-quedas, e mesmo assim acreditar que vai cair no melhor. Que vai cair nas graças do pensamento sem cabimento na razão dos que a possuem. Um audaz para a desgraça que é ser tolo, sem a mínima vontade de se afastar dessa forma de ser.


Passou a existir, uma queda para o desconhecido

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Transcrição de sentimentos comprometida

Aquilo que os nossos sentidos e acções são, é sempre maior do que as palavras que dizemos. Julgamos não saber o que sentimos. Julgamos dizer o que sentimos. No entanto, por vezes a emoção é perdida no caminho até à boca. A nossa verdade está na própria vontade em falar com alguém, no abraçar espontâneo, no passar da mão pelos cabelos com uma vontade que nos passa ao lado da consciência. Por vezes vivemos apagados da realidade e julgamos não querer o outro, mas sim uma vontade de ter, julgamos não nos apaixonar, mas apenas um gostar de estar, de conviver, de passear, de conhecer mais e mais. O que é do sentido das palavras quando as acções valem mais? O que me assusta é a auto-concepção desintegrada da realidade. Não me importa que as pessoas digam que não gostam, se o que mostram são gestos de afecto. O que me atormenta (quando não sonho acordado) é a hipótese das pessoas realmente sentirem e viverem nesse mundo em que os hemisférios cerebrais perderam a ligação. Não há razão que possa fugir à emoção, nem emoção sem réstias de razão. A emotividade de cada momento está sempre explicada pela racionalidade, nem que seja da fonte mais distante e da água mais escassa. Mas ela está lá.

O mundo é um quadro em que cada um usa as suas cores. Cabe a cada um saber usar as suas.


Passou a existir uma lógica não vista.

domingo, 21 de julho de 2013

Audácia sentimental

Apesar de não haver entendimento daquilo que vês aquilo que não vês dá-te o sentido para esse não entendimento. Como um abraço que se gosta e não se quer largar, como um amarrar de sentimentos que não se desprendem. Não se desprendem no intelecto da emoção nem na avareza da razão. Por isso, parto confiante para uma loucura que nem sempre se entende, mas que sempre a sinto como algo de bom, de positivo, que me enche de bem. Esta sede de conhecer todos os pontos de interrogação pede para resolvê-los já hoje. Mas ver desaparecê-los assim seria roubar tempo aos momentos de vida, de abraços e de gastos de saliva. Seria roubar o tempo que o tempo precisa. Mas mesmo sabendo que quem está no outro lado da linha não entende eu estou de peito cheio frente a todas as balas, sem nada garantido, sem um sentimento certo na bagagem que ela traz, apenas com a confiança da minha loucura de gostar.


Passou a existir a audácia sentimental

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Afirmar de nós

Os top model são aqueles que nos dão tesão de boa disposição. São aqueles cuja capacidade de nos fazer rir e  sua boa disposição marcam muito mais do que um corpo. Por detrás de um sorriso bonito e de umas pernas mais ou menos pode estar algo muito mais valioso que isso. Não há quem viva com um parceiro apenas porque tem um corpo fantástico, mas todos aqueles, os felizes pares que vivem juntos por longos tempos e realmente se sentem realizados, esses sim, esses gozam daquilo que o outro é. Gozam um do outro na confiança da personalidade e de um carinho compartilhado.
                 Por vezes a felicidade está sempre debaixo daquilo que acreditamos. Por vezes o nosso mal é olharmos o espelho de olhos fechados e não acreditarmos nos nossos valores. Por vezes o nosso mal é não saber que tudo o que achamos mau pode ser visto no copo meio cheio. Por vezes o nosso mal é só acreditarmos que nada será possível porque vemos tudo como derrotados. Vemos tudo do lado mais subjaz das nossas características. Deixemos o" por vezes" e viremos a capa do livro que nunca lemos. Sejamos audazes e desafiantes da nossa forma ranhosa de estar na vida e abramos os olhos ao nosso espelho. Abramos os olhos ao que somos. Abramos os olhos a tudo que nos torna seres únicos, especiais e adorados por alguns.


Passou a existir a coragem de ver.

domingo, 7 de julho de 2013

Let it go with the flow

Querer ou não querer depende do quanto gostamos de ser auto-sustentáveis de felicidade. Querer reside na determinação que fica à margem da lógica e nos deixa na corrente da mais ávida loucura.Porque viver só existe com a emoção e a mais pura reside naquela em que o futuro é uma perfeita incógnita. Por isso, mesmo sendo várias vezes vítima dessa corrente irracional, o melhor é ir ao encontro dela para que os nossos dias não sejam premeditados. Premeditar emoções é viver na monotonia do tempo. Abraçar o instinto animal que reside em nós é dar valor à vida humana.

Passou a existir o lado não pensado.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A estrada para....

Conhecer pessoas novas é como conhecer estradas novas. Não sabemos onde nos levam, mas podemos descobrir. Não sabemos se a estrada está cheia de buracos, ou marcas de travão de desgostos, infelicidades e desilusões de quem nela vive, mas ainda assim vale a pena arriscar em conhecer. Porque cada estrada tem a sua própria personalidade, os seus altos e baixos, a sua vista sobre o mundo de uma forma tão única de uma forma que mais ninguém tem e cabe a nós gostar dessa vista ou não. Podemos sempre não gostar do que vemos, mas também pode ser que caminhemos para um local melhor. Pode ser que a estrada, independentemente do jeito que ela percorre os quilómetros da sua cronologia de vida nos leve ao bem-estar, à realização, à realização pessoal, ou simplesmente ao prazer de conduzir sobre ela, ou com ela. Por isso deixo a minha personalidade destravada para que ganhe velocidade consoante a estrada me peça. E pararei quando ela me pedir e carregarei no acelerador quando ela me apelar!

Passou a existir uma nova rota

sábado, 29 de junho de 2013

Retrato

Brincam lá ao longe, perto da linha do comboio amarelo junto ao café mais conhecido da freguesia, onde a terra é seca, fina e castanha como se fosse trazida dos campos dali perto. Brincam ao calor, e o suor seca ao vento que mais não se faz sentir. À sua volta não está ninguém, pelo menos para eles que dançam à volta das cadeiras que não chegam para todos. O ar quente que me deixava na morrinha de um dia secante desvanece quando os que brincam trazem o prazer para a cor das folhas no alto das copas das árvores de fruto. A secante transforma-se num sorriso pelo contágio dos ingénuos de felicidade, ou dos corajosos, bravos e crentes no prazer ao segundo. No prazer do agora, já ou nunca mais. A vida consegue parar o tempo, num segundo que vira hora, num ambiente que se julgava finado e vira roda viva. Numa roda viva que desaparece com as preocupações dos adultos. Os ingénuos de felicidade sentam-se repentinamente. Quebra o barulho o silêncio dos grandes. Quebram os descrentes a dança dos ingénuos.

Passou a existir uma hora

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Contexto inevitável

Qual era a graça da torre sem o relógio e da hora sem o tempo? Qual era a graça do inverno sem o vento e do calor sem o suor dos que dele desesperam? Somos um inevitável ser engolido por um mundo que em tudo exerce o poder da sua influência. O homem que ri de si pode nem ser nada, pode ser um tolo ou um amigo cheio de muitos outros. Esse mesmo homem que sem o tempo com as pessoas se sente vazio não seria o mesmo sem a sua expressão de solidão que extravasa o razoável da saudável emoção. Escorre-lhe o suor entre os pêlos do corpo que lhe parecem pesar mais o intolerável e por vezes inconcebível do tempo lento. Tal como a clássica morte lenta, o vazio de si prega para que o tempo voe e que o mesmo agarre na alma vazia e a leve para a bem longe da sua pele de sentimentos.

Passou a existir um vazio

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Segundo certo

Num deserto de terra seca, onde o chão está repleto de fraguças e onde se tem medo de andar. É assim que se sente uma pessoa com um mínimo de auto-consciência. Embora demasiado tardia. O desejável é que  tivesse  outrora sonhado, e remotamente vivido. Porque por muito remoto que tenha sido, tinha muito potencial para desenvolver vida à sua volta. Revoltado vive este relógio de consciência que até há uns dias andava atrasado. Agora as pilhas são outras. De uma marca nova, sem apoios de ninguém. São pilhas de quem deixou para trás a beleza de outros relógios e agora procura andar sempre ao som do tempo, segundo a segundo, sem nunca atrasar o tic, sem nunca adiantar o tac.

Passou a existir o segundo certo

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Zero emocional

Um passado com coisas boas e coisas más como todos os outros. Mas com coisas muito confusas no passado recente. Por isso. Por isso, basta! Basta de mim próprio! Basta de burrice emocional. Não há pior que sentir que desfalcámos o caminho a pessoas que nos são de bem e nos queriam bem. É hora de pegar na vassoura e vassourar, é hora de queimar o lixo presente do hoje e deixar-me limpo, puro, e pôr o meu contador de boa pessoa a zeros. E saio para o amanha com zeros bem pesados, mas que num futuro, embora distante e por agora invisível, me tragam palavras de boa pessoa.

Passou a existir um zero